Última mesa temática antes do Pré-ENE discutiu Educação Infantil e Condição Feminina

A mesa temática “A Educação Infantil e a Condição Feminina”, realizada pela Coordenação do Pré-ENE Maranhão no último dia 31 no Auditório do IFMA Centro Histórico reuniu estudantes, professoras e professores, militantes da Educação, que discutiram os entraves para o acesso e permanência da mulher tanto na docência quanto na discência, além de debaterem o atual quadro da Educação Infantil, especialmente no município de São Luís, com falta de creches, privatização do ensino via escolas comunitárias e outras especificidades.

Os debates foram orientados pela professora Thais Lopes (UFMA), Lúcia Gato, do Fórum Maranhense de Mulheres e por Leonor Rodrigues, que representou a Secretaria Municipal de Educação, que fizeram falas seguidas de boas participações do público presente.

Thais Lopes demarcou que o gasto público com a Educação Infantil não é gasto, mas emprego de recurso no desenvolvimento da sociedade. Ela apontou com dois curtas metragens a situação enfrentada por mulheres na falta de equipamentos públicos para crianças, e depois mostrou como essa luta histórica serviu para contemplar a Educação Básica na distribuição do fundo público, com a substituição do FUNDEF pelo FUNDEB que, ainda assim, é insuficiente para manter uma escola de qualidade para todas as crianças. Também foi demonstrado como a creche é a etapa mais privatizada da Educação Básica. Entre os desafios, o acesso à creche e à pré-escola pública, de qualidade, com profissionais valorizados, com uma proposta pedagógica construída pela comunidade escolar.

Lúcia Gato apontou a situação da mulher em meio a esse quadro. Sua fala foi um desabafo dos desafios impostos à mulher e um chamado à resistência ante o quadro conjuntural que se apresenta.

“Nós não construímos esse país à toa, e não deixaremos nada por fazer”, disse Lúcia, convocando à resistência nestes tempos. “Estamos sendo exterminadas. Nos negam o direito de nos mantermos em pé, de nos mantermos vivas”, desabafou. Segundo ela, perpassar a pauta feminista no contexto da Educação é uma pauta complexa e que deve ser executada a muitas mãos. “Não devemos aceitar outra coisa que não a nossa cátedra em sala de aula”, conclamou às professoras.

Leonor mostrou como a creche foi incorporada à Educação (antes, era questão da Assistência Social). O quadro municipal apresentado por ela foi alvo de questionamentos pelos participantes, que apontaram deficiências do município no atendimento à Educação Básica, a inexistência de creches e a falta de estrutura para as poucas existentes. “Somos mulheres trabalhadoras, essa demanda é nossa também, nós, mulheres estudantes”, apontou uma das presentes. A falta de escolas municipais, pretensamente supridas pelas escolas comunitárias foi apontada como um esquema que precisa ser enfrentado, por representar a privatização do setor, com o agravante de muitas delas não possuírem condições mínimas de funcionamento adequado.

A atividade pode ser conferida no vídeo a seguir. A próxima etapa é a realização do Pré-ENE, dias 23 e 24 de novembro, cujas inscrições podem ser feitas AQUI

Mesa temática Rumo ao pré ENE "Educação Infantil e a condição feminina"

Publicado por Apruma Seção Sindical em Quarta-feira, 31 de outubro de 2018